quarta-feira, 3 de junho de 2026

MAPA CARTOGRÁFICO: FORMAÇÃO DOCENTE E TECNOLOGIAS DIGITAIS

 


O mapa cartográfico evidencia que a formação docente na cultura digital é atravessada por diferentes forças que coexistem, se tensionam e produzem possibilidades de transformação. As linhas duras representam as estruturas institucionais que organizam a formação de professores, como as Diretrizes Curriculares Nacionais, a BNCC, os currículos das licenciaturas, as competências digitais docentes e as políticas públicas educacionais. Essas estruturas orientam e normatizam a formação, definindo expectativas e parâmetros para a inserção das tecnologias digitais nos processos educativos.

As linhas maleáveis revelam as tensões presentes no cotidiano da formação docente. Destacam-se os conflitos entre o uso instrumental e o uso pedagógico crítico das tecnologias, a distância entre teoria e prática, as resistências e adesões dos professores às inovações tecnológicas, bem como os desafios relacionados ao tempo, à sobrecarga de trabalho e à insuficiência de formação continuada. Essas linhas demonstram que a incorporação das tecnologias digitais não ocorre de forma linear, mas por meio de negociações, adaptações e contradições que caracterizam a realidade educacional contemporânea.

Já as linhas de fuga expressam as possibilidades de inovação e criação que emergem desse território. Elementos como educação midiática, inteligência artificial na educação, produção de conteúdo digital, aprendizagem baseada em projetos, cultura maker, cidadania digital e metodologias ativas representam movimentos que ultrapassam o uso tradicional das tecnologias e apontam para novas formas de ensinar, aprender e produzir conhecimento.

A leitura do mapa dialoga diretamente com os referenciais teóricos analisados. As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial de Professores (BRASIL, 2024) defendem o desenvolvimento de competências digitais, o uso crítico das tecnologias e a adoção de práticas inovadoras. Da mesma forma, Custódio e Rodrigues (2023) argumentam que as tecnologias digitais devem ser compreendidas como bens culturais que influenciam profundamente os processos educativos e a construção da cidadania digital. Já Modelski, Giraffa e Casartelli (2019) destacam a necessidade de promover a fluência digital docente, articulando conhecimentos técnicos, pedagógicos e críticos.

A análise crítica do mapa permite compreender que existe um descompasso entre as propostas presentes nas políticas educacionais e as experiências efetivamente vivenciadas pelos professores em formação. Embora os documentos normativos defendam inovação, pensamento crítico e integração significativa das tecnologias, muitas práticas formativas ainda permanecem centradas em perspectivas instrumentais e tecnicistas. Nesse contexto, o currículo torna-se um espaço de disputa entre modelos tradicionais de ensino e propostas que valorizam a autoria, a criatividade, a colaboração e a participação crítica dos sujeitos na cultura digital.

Assim, o mapa cartográfico evidencia que a transformação da formação docente depende não apenas da ampliação do acesso às tecnologias, mas da construção de processos formativos capazes de promover reflexão crítica, mediação pedagógica qualificada e práticas inovadoras que contribuam para a formação de professores autônomos, criativos e comprometidos com uma educação democrática e socialmente relevante na era digital.

O problema levantado por  Maria Betânia evidencia uma contradição central: embora os licenciados demonstrem domínio técnico das ferramentas digitais, eles apresentam dificuldades em utilizá-las de forma crítica, reflexiva e inovadora. Essa situação aparece claramente nas linhas maleáveis do mapa cartográfico, que representam as tensões existentes entre:

  • uso instrumental × uso pedagógico crítico das tecnologias;
  • domínio técnico × mediação pedagógica;
  • teoria × prática;
  • inovação prevista nas políticas × realidade da formação docente.

Essas tensões revelam que o simples acesso às tecnologias ou o conhecimento operacional das ferramentas não garante a transformação das práticas pedagógicas. Os licenciandos observados por Maria Betânia reproduzem metodologias tradicionais apenas substituindo recursos analógicos por digitais, sem promover mudanças significativas nos processos de ensino e aprendizagem.

As linhas duras ajudam a compreender outro aspecto da problemática. Elas representam as Diretrizes Curriculares Nacionais, a BNCC, os currículos das licenciaturas e as políticas públicas que defendem o desenvolvimento de competências digitais, pensamento crítico e inovação pedagógica. Entretanto, embora essas estruturas normativas orientem a formação docente, elas nem sempre se materializam efetivamente nas experiências formativas vividas pelos futuros professores.

Por sua vez, as linhas de fuga apontam caminhos para enfrentar o problema identificado por Maria Betânia. Elas representam práticas inovadoras que podem transformar a formação docente, como:

  • educação midiática;
  • cidadania digital;
  • metodologias ativas;
  • aprendizagem baseada em projetos;
  • cultura maker;
  • produção autoral de conteúdos digitais;
  • uso crítico da inteligência artificial na educação.

Essas possibilidades rompem com a lógica da simples reprodução de conteúdo e favorecem a construção de práticas pedagógicas mais criativas, colaborativas e reflexivas.

Articulação com os referenciais teóricos

Os referenciais analisados ajudam a explicar a situação observada por Maria Betânia. Custódio e Rodrigues (2023) afirmam que muitos professores e formadores ainda compreendem as tecnologias apenas como ferramentas a serviço do currículo, desconsiderando seu papel como elementos da cultura digital. Isso explica por que os licenciados utilizam as TD apenas para exposição de conteúdo.

Da mesma forma, Modelski, Giraffa e Casartelli (2019) defendem que a formação docente precisa desenvolver a fluência digital, entendida não apenas como domínio técnico, mas como capacidade de integrar conhecimentos pedagógicos, tecnológicos e críticos. A ausência dessa formação mais ampla contribui para as limitações identificadas nos estágios supervisionados.

As Diretrizes Curriculares Nacionais (2024) também reforçam a necessidade de desenvolver competências digitais docentes, promover o pensamento crítico e utilizar tecnologias para inovação pedagógica. Contudo, o caso demonstra que ainda existe um distanciamento entre o que as políticas educacionais propõem e aquilo que efetivamente acontece nos cursos de formação.

O mapa cartográfico permite compreender que o problema de Maria Betânia não está na falta de tecnologia nem na ausência de conhecimento básico das ferramentas digitais. O principal desafio encontra-se na formação docente, que ainda apresenta dificuldades para transformar o uso técnico das tecnologias em experiências pedagógicas críticas, éticas, criativas e inovadoras.

Assim, a cartografia evidencia que a questão central não é "como usar tecnologias", mas "como formar professores capazes de atribuir sentido pedagógico às tecnologias", articulando currículo, cultura digital, cidadania e inovação educativa. Essa é exatamente a problemática que mobiliza as reflexões de Maria Betânia e que orienta a construção do mapa cartográfico.

 


REFERÊNCIAS: 

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CP nº 4, de 29 de maio de 2024. Disponível em:https://www.gov.br/mec/pt-br/cne/pdf/resolucoes-do-cne/cp/2024/rcp004_24.pdf

CUSTÓDIO, Nathália Meloni; RODRIGUES, Alessandra. Tecnologias e formação inicial docente: O papel do professor formador na construção do pensamento crítico e da cidadania digital. Revista Contexto & Educação , [S. l.], v. 38, n. 120, p. e12765, 2023. DOI: 10.21527/2179-1309.2023.120.12765.

ODELSKI, D.; GIRAFFA, L. M. M.; CASARTELLI, A. DE O.. Tecnologias digitais, formação docente e práticas pedagógicas. Educação e Pesquisa , v. 45, p. e180201, 2019.


2 comentários:

  1. O mapa foi feito por IA. Mas vocês que indicaram para a IA quais as linhas? Vocês que leram e selecionaram os elementos cartográficos? Vocês aprenderam o que com o processo?

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  2. Olá, Amanda!

    Seu mapa apresenta uma boa articulação entre as tensões e as possibilidades de transformação, além de dialogar com os referenciais teóricos estudados.

    Fiquei com uma dúvida: a proposta do PBL sugeria a representação de dois territórios centrais, Formação e Currículo. No seu mapa, o território da Formação aparece de forma bastante evidente, mas como você visualiza a presença do território do Currículo nessa construção?

    Parabéns pela proposta!

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