domingo, 5 de abril de 2026

Auto avaliação: o movimento do aprender...

 


Ao iniciar a disciplina, já na primeira aula, fui profundamente impactada, especialmente pela atenção dada ao uso — e à não utilização — de determinados termos. Percebi o quanto a escolha das palavras é fundamental quando estamos em constante processo de aprendizagem.

Estar em um doutorado representa, para mim, mais do que a realização de um propósito pessoal: trata-se também de uma ruptura de ciclos familiares, sendo eu a primeira doutoranda da família. Esse percurso envolve, inclusive, o desafio de explicar aos meus familiares aspectos do universo acadêmico que ainda lhes são pouco familiares.

Para sustentar essa trajetória, procuro me manter alinhada a três eixos: o espiritual, o mental e o social. Reconheço que, em muitos momentos, minha mente opera em ritmo acelerado e que nem sempre consigo assimilar plenamente todos os conteúdos apresentados. Ainda assim, compreendo essas experiências como parte do processo formativo e as acolho como oportunidades de aprendizagem.

Ao longo das aulas, venho desconstruindo concepções do senso comum, à medida que entro em contato com autores, legislações e diferentes perspectivas teóricas. Esse movimento tem me permitido compreender que a tecnologia emerge das necessidades humanas de resolver problemas, especialmente em contextos que envolvem deficiência, vulnerabilidade social, questões raciais e de gênero. Nesse percurso, tenho buscado revisar estereótipos e aprimorar meu vocabulário e minha postura, em uma perspectiva mais ética e humanizada.

A abordagem da tecnologia na perspectiva ecológica trouxe-me maior segurança para refletir sobre os desafios da minha prática profissional e também do meu papel como cidadã. Compreendo, cada vez mais, que fazemos parte de um sistema complexo e interdependente, ainda que nem sempre tenhamos plena consciência disso. Meu modo de pensar tem sido ressignificado: deixo de buscar justificativas imediatas para focar na construção de soluções fundamentadas, considerando conceitos, possibilidades e limites.

No que se refere à dinâmica do PBL (Problem-Based Learning), reconheço que não cheguei totalmente preparada, mas me mantive aberta à experiência de aprender. Essa vivência já tem provocado impactos na minha prática, ajudando-me a estabelecer relações que antes não conseguia compreender. Passei a valorizar o conhecimento científico, entendendo que cada saber resulta de processos complexos de construção e, por isso, deve ser devidamente referenciado. Mesmo diante das limitações de tempo para leitura e assimilação, busquei contribuir com reflexões fundamentadas.

A problematização tem se tornado um foco central da minha atenção. Procuro desenvolver a capacidade de elaborar questões mais consistentes, evitando comparações superficiais e priorizando análises mais críticas. Nesse sentido, percebo uma transição importante: deixo de “consumir conteúdos” para me engajar na construção e apropriação de saberes. A necessidade de compreender o indivíduo em sua relação com a aprendizagem sempre esteve presente em minha trajetória, desde a infância, quando já me inquietava diante de situações em que uma criança não conseguia aprender.

Meu portfólio representa essa trajetória em construção, registrando os caminhos percorridos até aqui. Reconheço que ainda há muito a avançar, mas compreendo que a prática constante é essencial para o aprimoramento. Embora não seja possível uma dedicação integral, devido às múltiplas demandas do cotidiano, mantenho o compromisso com a aprendizagem contínua.

Ao longo da disciplina, também compreendi a relevância de ferramentas como mapas mentais, diagramas de Ishikawa, linhas do tempo, podcasts e infográficos, bem como o uso de diferentes aplicativos. Mais do que utilizá-los, passei a entender o propósito de sua elaboração e como contribuem para a compreensão dos conteúdos e das produções acadêmicas.

Por fim, reconheço a necessidade de aprimorar minha organização do tempo diante das demandas cotidianas. A experiência de desenvolver o PBL em dupla tende a ampliar ainda mais meus conhecimentos e fortalecer minha trajetória acadêmica. Assim, o doutorado se configura, para mim, não apenas como continuidade, mas como um novo ponto de partida para uma transformação efetiva na forma de aprender e de me posicionar frente ao conhecimento.

4 comentários:

  1. Olá, Amanda!

    Sua fala sobre a transição do “consumo” para a “problematização” revela bem o momento que estamos vivenciando na disciplina.

    Pensando nos dispositivos e artefatos que exploramos no PBL (como o Diagrama de Ishikawa, o mapa conceitual, o podcast, entre outros), qual deles mais te tocou? Ou seja, qual funcionou, para você, como o principal meio de ruptura em direção a uma postura investigativa, afastando-a da mera descrição?

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    1. Olá Martone! Compartilhando contigo os artefatos que me auxiliaram está construindo essa postura é o Diagrama de Ishikawa e o mapa conceitual. O Diagrama me relembra o tempo que trabalhei no corporativo e tinha que desenvolver este artefato para atuar com problemas de gestão e nele observarmos o desenho. Porém, não enxerguei ele naquela época como no PBL que tivemos um aprofundamento da teoria que me fez vê exatamente o que ele pretende mostrar. E o mapa conceitual que já trabalho desde a graduação para organizar visualmente um texto e fazer as relações de literaturas, já faz parte da minha rotina devido a aceleração do pensamento, se não for assim me perco.
      O PBL e os artefatos desenvolvidos me auxiliaram a realinhar o olhar dentro da minha prática pedagógica e realizar algumas "inovações". E atualmente estou muito satisfeita com os resultados que estão florescendo.

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  2. Seu texto é muito potente pela união da trajetória pessoal, amadurecimento acadêmico e compromisso ético numa mesma reflexão. Gostei de como você mostra a passagem de uma postura mais receptiva para uma postura mais crítica, problematizadora e fundamentada e de como o portfólio aparece como um retrato vivo desse processo de transformação.

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    1. As mudanças são constante tenho rotina, mas sempre estou revisando e atualizando minhas práticas. Sei que serei eternamente aprendiz. E nesse movimento de aprendizagem a constância leva ao "êxito", pois, perfeito somente o "Designer do Universo" (Drª. Ana Beatriz).

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