segunda-feira, 20 de abril de 2026

Portfólio 13/04/2026 - Estudo dirigido: articulações sobre tecnologia, inteligência e educação

 



A Tecnologia como Fenômeno Histórico e Social: A Perspectiva de Vieira Pinto

O estudo iniciou-se com a desconstrução de visões ingênuas que tratam a tecnologia como algo neutro ou meramente instrumental. Para Vieira Pinto, a tecnologia é a objetivação do trabalho humano acumulado ao longo da história. Ela não existe no vácuo; é uma síntese material de relações sociais, carregando em si intencionalidades, projetos de poder e as marcas das condições concretas de sua produção.

Dessa forma, o autor desmonta a ideia de "progresso técnico universal", evidenciando que a tecnologia reflete assimetrias de poder e pode ser um instrumento de dependência entre sociedades. A chave interpretativa aqui é o trabalho, entendido como a mediação ontológica entre o sujeito e o mundo. O ser humano não apenas usa a técnica, mas é produzido por ela em um processo dialético.

Tecnologia, Consciência e Aprendizagem

A discussão avançou para a relação entre tecnologia e a formação da consciência. Vieira Pinto argumenta que a apropriação da tecnologia pode seguir dois caminhos:

  • Apropriação Acrítica/Passiva: Resulta na reprodução ideológica e na naturalização das desigualdades, gerando alienação.
  • Apropriação Crítica: Envolve a compreensão das origens e finalidades da técnica, permitindo o desenvolvimento de uma consciência reflexiva e transformadora.

Nesse contexto, a aprendizagem é redefinida como uma transformação qualitativa da relação do sujeito com o mundo. Não se trata de acumular informações, mas de uma prática de mediação que amplia a capacidade de intervenção na realidade.

O Diálogo com Pierre Lévy: Ecologia Cognitiva

A integração com o pensamento de Pierre Lévy expandiu a análise para os efeitos cognitivos da técnica. Enquanto Vieira Pinto foca na gênese social pelo trabalho, Lévy destaca a tecnologia como reorganizadora da cognição. Através do conceito de ecologia cognitiva, Lévy propõe que a inteligência não é individual, mas distribuída em coletivos de humanos e artefatos.

As tecnologias da inteligência reconfiguram as formas de conhecer e comunicar, participando ativamente da construção simbólica da realidade. Assim, a aprendizagem em redes sociotécnicas torna-se um processo de participação ativa em sistemas de produção de sentido.

Síntese Integradora e Implicações Educacionais

A articulação entre os autores revela um movimento dialético: o trabalho humano produz a tecnologia (origem social), e esta, por sua vez, retroage sobre a humanidade ao reorganizar suas formas de pensar e perceber (efeito cognitivo).

Para a prática educativa contemporânea, este estudo aponta que:

  1. Deve-se superar a transmissão passiva de conteúdos em favor da problematização e da autoria.
  2. A apropriação crítica das tecnologias é fundamental para que estas atuem como ferramentas de emancipação e não de alienação.

Conclui-se que a tecnologia, entendida como um processo social ativo e um campo de disputas, é elemento central na construção da realidade e na formação do pensamento humano crítico.

 

REFERÊNCIAS:

PINTO, Álvaro Vieira. O Conceito de Tecnologia. Rio de Janeiro: Contraponto, 2005. v. 2. 

LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. São Paulo: Editora 34, 1993.

domingo, 5 de abril de 2026

Auto avaliação: o movimento do aprender...

 


Ao iniciar a disciplina, já na primeira aula, fui profundamente impactada, especialmente pela atenção dada ao uso — e à não utilização — de determinados termos. Percebi o quanto a escolha das palavras é fundamental quando estamos em constante processo de aprendizagem.

Estar em um doutorado representa, para mim, mais do que a realização de um propósito pessoal: trata-se também de uma ruptura de ciclos familiares, sendo eu a primeira doutoranda da família. Esse percurso envolve, inclusive, o desafio de explicar aos meus familiares aspectos do universo acadêmico que ainda lhes são pouco familiares.

Para sustentar essa trajetória, procuro me manter alinhada a três eixos: o espiritual, o mental e o social. Reconheço que, em muitos momentos, minha mente opera em ritmo acelerado e que nem sempre consigo assimilar plenamente todos os conteúdos apresentados. Ainda assim, compreendo essas experiências como parte do processo formativo e as acolho como oportunidades de aprendizagem.

Ao longo das aulas, venho desconstruindo concepções do senso comum, à medida que entro em contato com autores, legislações e diferentes perspectivas teóricas. Esse movimento tem me permitido compreender que a tecnologia emerge das necessidades humanas de resolver problemas, especialmente em contextos que envolvem deficiência, vulnerabilidade social, questões raciais e de gênero. Nesse percurso, tenho buscado revisar estereótipos e aprimorar meu vocabulário e minha postura, em uma perspectiva mais ética e humanizada.

A abordagem da tecnologia na perspectiva ecológica trouxe-me maior segurança para refletir sobre os desafios da minha prática profissional e também do meu papel como cidadã. Compreendo, cada vez mais, que fazemos parte de um sistema complexo e interdependente, ainda que nem sempre tenhamos plena consciência disso. Meu modo de pensar tem sido ressignificado: deixo de buscar justificativas imediatas para focar na construção de soluções fundamentadas, considerando conceitos, possibilidades e limites.

No que se refere à dinâmica do PBL (Problem-Based Learning), reconheço que não cheguei totalmente preparada, mas me mantive aberta à experiência de aprender. Essa vivência já tem provocado impactos na minha prática, ajudando-me a estabelecer relações que antes não conseguia compreender. Passei a valorizar o conhecimento científico, entendendo que cada saber resulta de processos complexos de construção e, por isso, deve ser devidamente referenciado. Mesmo diante das limitações de tempo para leitura e assimilação, busquei contribuir com reflexões fundamentadas.

A problematização tem se tornado um foco central da minha atenção. Procuro desenvolver a capacidade de elaborar questões mais consistentes, evitando comparações superficiais e priorizando análises mais críticas. Nesse sentido, percebo uma transição importante: deixo de “consumir conteúdos” para me engajar na construção e apropriação de saberes. A necessidade de compreender o indivíduo em sua relação com a aprendizagem sempre esteve presente em minha trajetória, desde a infância, quando já me inquietava diante de situações em que uma criança não conseguia aprender.

Meu portfólio representa essa trajetória em construção, registrando os caminhos percorridos até aqui. Reconheço que ainda há muito a avançar, mas compreendo que a prática constante é essencial para o aprimoramento. Embora não seja possível uma dedicação integral, devido às múltiplas demandas do cotidiano, mantenho o compromisso com a aprendizagem contínua.

Ao longo da disciplina, também compreendi a relevância de ferramentas como mapas mentais, diagramas de Ishikawa, linhas do tempo, podcasts e infográficos, bem como o uso de diferentes aplicativos. Mais do que utilizá-los, passei a entender o propósito de sua elaboração e como contribuem para a compreensão dos conteúdos e das produções acadêmicas.

Por fim, reconheço a necessidade de aprimorar minha organização do tempo diante das demandas cotidianas. A experiência de desenvolver o PBL em dupla tende a ampliar ainda mais meus conhecimentos e fortalecer minha trajetória acadêmica. Assim, o doutorado se configura, para mim, não apenas como continuidade, mas como um novo ponto de partida para uma transformação efetiva na forma de aprender e de me posicionar frente ao conhecimento.

Linha do Tempo: Tecnologias digitais no ensino: possibilidades e limites



Diante do exposto, é possível afirmar que a efetiva contribuição das tecnologias digitais para a aprendizagem não depende apenas de sua presença nas escolas, mas de mudanças estruturais no sistema educacional. À luz das reflexões de César Coll e Carles Monereo (2010), torna-se evidente que é indispensável repensar a formação docente, superando o viés meramente técnico e investindo em uma preparação que capacite o professor a atuar como mediador e planejador de experiências significativas.

Da mesma forma, é necessário rever as práticas pedagógicas, abandonando modelos centrados na transmissão de informações e adotando abordagens que favoreçam a construção ativa do conhecimento, com protagonismo do estudante. No âmbito das políticas educacionais, fica claro que investimentos em infraestrutura, embora importantes, são insuficientes sem suporte contínuo, tempo para planejamento e currículos flexíveis que integrem, de fato, as tecnologias ao projeto pedagógico.

Assim, conclui-se que a tecnologia, por si só, não transforma a aprendizagem; seu potencial só se concretiza quando acompanhada de mudanças profundas nas formas de ensinar e aprender.


REFERÊNCIAS: 

COLL, C.; MAURI, T.; ONRUBIA, J. A incorporação das tecnologias da informação e da comunicação na educação: do projeto técnico-pedagógico às práticas de uso. In: COLL, C.; MONEREO, C. (Org.). Psicologia da Educação Virtual.Porto Alegre: Artmed, 2010. p. 66–93.  

VALENTE, J. A.; ALMEIDA, M. E. B. Tecnologias e educação: legado das experiências da pandemia COVID-19 para o futuro da escola. Panorama Setorial da Internet, São Paulo, ano 14, n. 2, jun. 2022. Disponível em: https://cetic.br/media/docs/publicacoes/6/20220725145804/psi-ano-14-n-2-tecnologias-digitais-tendencias-atuais-futuro-educacao.pdf.

BONILLA, M. H. S.; OLIVEIRA, P. C. S. Inclusão digital: ambiguidades em curso. In: BONILLA, Maria Helena Silveira; PRETTO, Nelson De Luca (org.). Inclusão digital: polêmica contemporânea. Salvador: EDUFBA, 2011. p. 15-36. Disponível em: https://static.scielo.org/scielobooks/qfgmr/pdf/bonilla-9788523212063.pdf.




sábado, 4 de abril de 2026

Reflexões sobre a construção e compartilhamento de saberes no dia 30/03/2026

 

Despeço-me do mês de março agradecendo por mais um ciclo iniciado com a nova idade e grata por cada aprendizado e ensinamento. Afinal, se levamos algo desta existência, acredito que sejam as construções.
Com a proposta semanal do PBL, encontro novas ideias de práticas e reflito sobre minhas próprias ações e sobre as práticas educacionais que temos a missão de ler. A construção do diagrama de Ishikawa revelou-me uma nova ferramenta; apesar de ela já ser minha conhecida, com a fundamentação e as leituras, tornou-se mais clara. Tanto que já irei usá-la na minha pesquisa para expandir e visualizar até que ponto meus objetivos irão alcançar e como os autores irão me referenciar sobre a temática.
A construção de uma linha do tempo, proposta do PBL da próxima semana, será outra atividade que me trará mais fundamentação, devido à sua elaboração ser baseada nas leituras sugeridas. E por ser algo que no chão da escola estamos solicitando aos nossos alunos e agora, em uma disciplina do Doutorado me vejo novamente em construir com base em uma fundamentação por trás da simples elaboração de uma linha do tempo...

Portfólio 13/04/2026 - Estudo dirigido: articulações sobre tecnologia, inteligência e educação

  A Tecnologia como Fenômeno Histórico e Social: A Perspectiva de Vieira Pinto O estudo iniciou-se com a desconstrução de visões ingênuas qu...