domingo, 14 de junho de 2026

RELATO REFLEXIVO DA DISCIPLINA

 

Fonte: Elaboração própria, com uso de inteligência artificial generativa (OpenAI, DALL·E, 2026).

No percurso da jornada, imensos são os desafios, principalmente o de encarar, mais uma vez, uma formação de grande relevância e ousadia: o Doutorado.

Mas vamos lá. Desde fevereiro, uma de minhas crianças passou a me chamar de “Doutora”. Ela tem apenas cinco anos e, por mais que eu tentasse corrigir, insistia. Quando o edital saiu, eu chorei, pois nunca havia sentido meu coração arder daquela forma. E isso é real. Era um calor bom, um chamamento.

Foi então que consagrei meu projeto a Deus e pedi que, se fosse da Sua vontade, houvesse multiplicação. E assim tem sido até aqui: para eles (as crianças) e para mim (redenção).

Iniciei essa caminhada em meio a um processo de mudanças biológicas, mas faz parte do ciclo sem fim...

Meu envolvimento na disciplina jamais atenderá a todas as expectativas. Entretanto, as minhas foram plenamente contempladas, pois conheci pessoas fantásticas em suas individualidades e pluralidades. Acredito profundamente na força das conexões construídas por afinidades.

Conheci Vieira Pinto, que me apresentou, ainda que de forma inicial, a fundamentação do conceito de tecnologia. A partir disso, jamais voltarei a tratar um artefato tecnológico da mesma maneira. Reencontrei Lévy, a cultura digital e a cibercultura, compreendendo ainda mais como estamos conectados, desde o CPF que nos localiza em qualquer ponto do globo até as contas Google e os algoritmos que permeiam nosso cotidiano.

E Luckesi foi um verdadeiro encontro. Quando abordou o “estado budístico” para relacioná-lo à ludicidade, foi como uma flecha amorosa atravessando meu peito. Pronto. Já estou aqui, com minha criança interior, redigindo este relato.

Meu Laboratório de Aprendizagens, antiga sala de aula, funciona a partir de problemas gerados por situações cuidadosamente planejadas. As crianças se mobilizam entre si por meio do senso comum, dos conhecimentos de mundo e das experiências familiares. É nesse movimento que a aprendizagem começa, pois os conceitos são inseridos de forma significativa.

Os colegas da turma foram pontes construídas ao longo da caminhada, tornando o percurso mais leve.

Os resultados já podem ser percebidos em artigos escritos para eventos científicos, fundamentados em práticas desenvolvidas a partir da disciplina, que continuam se transformando ao longo do percurso. Com certeza, novas conexões de aprendizagem foram consolidadas e a aprendizagem foi significativa.

Avaliação da disciplina: estrutura, metodologia, conteúdos, desafios e possibilidades

A disciplina realmente entrega aquilo que propõe. Infelizmente, em razão de nossas rotinas, nem sempre conseguimos nos dedicar integralmente. Contudo, como citei anteriormente, as expectativas nem sempre serão atendidas em sua totalidade.

Os conteúdos foram extremamente relevantes e úteis para minha prática como professora da Educação Básica. Consegui iniciar o rompimento de crenças limitantes relacionadas ao uso da tecnologia dentro do meu Laboratório de Aprendizagens, e espero que esse movimento continue.

Compartilho, com muito orgulho, a possibilidade de trabalhar a inclusão de crianças com deficiência por meio da interação entre pares, mobilizando a afetividade e a ludicidade — o que elas têm de melhor. Espero que a disciplina continue trazendo, a cada semestre, o que há de mais significativo em termos de práticas e conhecimentos.

Ainda enfrento dificuldades para acessar e utilizar novos aplicativos e plataformas. Porém, todas as dúvidas estão anotadas para serem revisadas com mais calma em outro momento, pois desejo levar para os meus pequenos esse universo de possibilidades.

Professor, foi um prazer cursar esta disciplina neste momento da minha vida, e não durante a graduação. Tudo tem seu tempo.

Saio desta experiência com gratidão, mas também com uma reflexão sobre nossa trajetória enquanto professores. As palavras têm o poder de edificar ou destruir sonhos; podem impulsionar ou bloquear caminhos quando não são utilizadas com sensibilidade.

Não escrevo sobre aliviar exigências ou mimar pessoas, mas sobre compreender que cada indivíduo carrega consigo não apenas sua própria história, mas também as gerações que o antecederam, além de contextos de vida complexos e singulares.

Assim como ocorre com a tecnologia, precisamos compreender sua epistemologia para que ela seja incorporada com consciência, criticidade e assertividade.

Após toda essa reflexão, permanece a gratidão. Afinal, consegui. Sou aventureira e agora sigo bem acompanhada da minha criança interior, extremamente curiosa.

Tenho certeza de que, ao final deste ciclo chamado Doutorado, o senhor também estará lá, eternizado nessa trajetória. E veja a responsabilidade que existe nisso.

Sou profundamente grata por participar do desenvolvimento dos meus pequenos. Quando me dizem que, no futuro, irão me procurar para contar o quanto cresceram, pagar meu lanche no McDonald's ou até mesmo me dar uma carona no carro da polícia, percebo o tamanho da responsabilidade e da beleza que existem no ato de educar.

Ao término desta disciplina, incorporo a compreensão de que minha responsabilidade é de extrema relevância para a formação de seres humanos que estarão na sociedade e devolverão ao mundo aquilo que lhes foi ensinado.

A tecnologia se funde ao nosso cotidiano para solucionar problemas, potencializar aprendizagens e contribuir com soluções eficazes para a coletividade.

Não posso escrever mais sobre meus projetos, pois são extremamente pessoais e acredito que algumas ideias devem ser compartilhadas apenas após sua concretização.

Finalizo retomando minha primeira fundamentação teórica, que me acompanha desde os dez anos de idade e que, inclusive, será eternizada em minha pele.

Gandhi dizia que, quando um único ser humano fosse capaz de atingir o mais elevado nível de amor, isso neutralizaria o ódio de milhões.

E eu acrescento: talvez não neutralize imediatamente o ódio de milhões. Talvez até o desperte em alguns. Ainda assim, vale a pena.

Até a próxima disciplina.

 


quarta-feira, 3 de junho de 2026

MAPA CARTOGRÁFICO: FORMAÇÃO DOCENTE E TECNOLOGIAS DIGITAIS

 


O mapa cartográfico evidencia que a formação docente na cultura digital é atravessada por diferentes forças que coexistem, se tensionam e produzem possibilidades de transformação. As linhas duras representam as estruturas institucionais que organizam a formação de professores, como as Diretrizes Curriculares Nacionais, a BNCC, os currículos das licenciaturas, as competências digitais docentes e as políticas públicas educacionais. Essas estruturas orientam e normatizam a formação, definindo expectativas e parâmetros para a inserção das tecnologias digitais nos processos educativos.

As linhas maleáveis revelam as tensões presentes no cotidiano da formação docente. Destacam-se os conflitos entre o uso instrumental e o uso pedagógico crítico das tecnologias, a distância entre teoria e prática, as resistências e adesões dos professores às inovações tecnológicas, bem como os desafios relacionados ao tempo, à sobrecarga de trabalho e à insuficiência de formação continuada. Essas linhas demonstram que a incorporação das tecnologias digitais não ocorre de forma linear, mas por meio de negociações, adaptações e contradições que caracterizam a realidade educacional contemporânea.

Já as linhas de fuga expressam as possibilidades de inovação e criação que emergem desse território. Elementos como educação midiática, inteligência artificial na educação, produção de conteúdo digital, aprendizagem baseada em projetos, cultura maker, cidadania digital e metodologias ativas representam movimentos que ultrapassam o uso tradicional das tecnologias e apontam para novas formas de ensinar, aprender e produzir conhecimento.

A leitura do mapa dialoga diretamente com os referenciais teóricos analisados. As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial de Professores (BRASIL, 2024) defendem o desenvolvimento de competências digitais, o uso crítico das tecnologias e a adoção de práticas inovadoras. Da mesma forma, Custódio e Rodrigues (2023) argumentam que as tecnologias digitais devem ser compreendidas como bens culturais que influenciam profundamente os processos educativos e a construção da cidadania digital. Já Modelski, Giraffa e Casartelli (2019) destacam a necessidade de promover a fluência digital docente, articulando conhecimentos técnicos, pedagógicos e críticos.

A análise crítica do mapa permite compreender que existe um descompasso entre as propostas presentes nas políticas educacionais e as experiências efetivamente vivenciadas pelos professores em formação. Embora os documentos normativos defendam inovação, pensamento crítico e integração significativa das tecnologias, muitas práticas formativas ainda permanecem centradas em perspectivas instrumentais e tecnicistas. Nesse contexto, o currículo torna-se um espaço de disputa entre modelos tradicionais de ensino e propostas que valorizam a autoria, a criatividade, a colaboração e a participação crítica dos sujeitos na cultura digital.

Assim, o mapa cartográfico evidencia que a transformação da formação docente depende não apenas da ampliação do acesso às tecnologias, mas da construção de processos formativos capazes de promover reflexão crítica, mediação pedagógica qualificada e práticas inovadoras que contribuam para a formação de professores autônomos, criativos e comprometidos com uma educação democrática e socialmente relevante na era digital.

O problema levantado por  Maria Betânia evidencia uma contradição central: embora os licenciados demonstrem domínio técnico das ferramentas digitais, eles apresentam dificuldades em utilizá-las de forma crítica, reflexiva e inovadora. Essa situação aparece claramente nas linhas maleáveis do mapa cartográfico, que representam as tensões existentes entre:

  • uso instrumental × uso pedagógico crítico das tecnologias;
  • domínio técnico × mediação pedagógica;
  • teoria × prática;
  • inovação prevista nas políticas × realidade da formação docente.

Essas tensões revelam que o simples acesso às tecnologias ou o conhecimento operacional das ferramentas não garante a transformação das práticas pedagógicas. Os licenciandos observados por Maria Betânia reproduzem metodologias tradicionais apenas substituindo recursos analógicos por digitais, sem promover mudanças significativas nos processos de ensino e aprendizagem.

As linhas duras ajudam a compreender outro aspecto da problemática. Elas representam as Diretrizes Curriculares Nacionais, a BNCC, os currículos das licenciaturas e as políticas públicas que defendem o desenvolvimento de competências digitais, pensamento crítico e inovação pedagógica. Entretanto, embora essas estruturas normativas orientem a formação docente, elas nem sempre se materializam efetivamente nas experiências formativas vividas pelos futuros professores.

Por sua vez, as linhas de fuga apontam caminhos para enfrentar o problema identificado por Maria Betânia. Elas representam práticas inovadoras que podem transformar a formação docente, como:

  • educação midiática;
  • cidadania digital;
  • metodologias ativas;
  • aprendizagem baseada em projetos;
  • cultura maker;
  • produção autoral de conteúdos digitais;
  • uso crítico da inteligência artificial na educação.

Essas possibilidades rompem com a lógica da simples reprodução de conteúdo e favorecem a construção de práticas pedagógicas mais criativas, colaborativas e reflexivas.

Articulação com os referenciais teóricos

Os referenciais analisados ajudam a explicar a situação observada por Maria Betânia. Custódio e Rodrigues (2023) afirmam que muitos professores e formadores ainda compreendem as tecnologias apenas como ferramentas a serviço do currículo, desconsiderando seu papel como elementos da cultura digital. Isso explica por que os licenciados utilizam as TD apenas para exposição de conteúdo.

Da mesma forma, Modelski, Giraffa e Casartelli (2019) defendem que a formação docente precisa desenvolver a fluência digital, entendida não apenas como domínio técnico, mas como capacidade de integrar conhecimentos pedagógicos, tecnológicos e críticos. A ausência dessa formação mais ampla contribui para as limitações identificadas nos estágios supervisionados.

As Diretrizes Curriculares Nacionais (2024) também reforçam a necessidade de desenvolver competências digitais docentes, promover o pensamento crítico e utilizar tecnologias para inovação pedagógica. Contudo, o caso demonstra que ainda existe um distanciamento entre o que as políticas educacionais propõem e aquilo que efetivamente acontece nos cursos de formação.

O mapa cartográfico permite compreender que o problema de Maria Betânia não está na falta de tecnologia nem na ausência de conhecimento básico das ferramentas digitais. O principal desafio encontra-se na formação docente, que ainda apresenta dificuldades para transformar o uso técnico das tecnologias em experiências pedagógicas críticas, éticas, criativas e inovadoras.

Assim, a cartografia evidencia que a questão central não é "como usar tecnologias", mas "como formar professores capazes de atribuir sentido pedagógico às tecnologias", articulando currículo, cultura digital, cidadania e inovação educativa. Essa é exatamente a problemática que mobiliza as reflexões de Maria Betânia e que orienta a construção do mapa cartográfico.

 


REFERÊNCIAS: 

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CP nº 4, de 29 de maio de 2024. Disponível em:https://www.gov.br/mec/pt-br/cne/pdf/resolucoes-do-cne/cp/2024/rcp004_24.pdf

CUSTÓDIO, Nathália Meloni; RODRIGUES, Alessandra. Tecnologias e formação inicial docente: O papel do professor formador na construção do pensamento crítico e da cidadania digital. Revista Contexto & Educação , [S. l.], v. 38, n. 120, p. e12765, 2023. DOI: 10.21527/2179-1309.2023.120.12765.

ODELSKI, D.; GIRAFFA, L. M. M.; CASARTELLI, A. DE O.. Tecnologias digitais, formação docente e práticas pedagógicas. Educação e Pesquisa , v. 45, p. e180201, 2019.


RELATO REFLEXIVO DA DISCIPLINA

  Fonte: Elaboração própria, com uso de inteligência artificial generativa (OpenAI, DALL·E, 2026). No percurso da jornada, imensos são os d...