Diário de uma Doutoranda: a pesquisa nasce da coragem de desconstruir.
“Se algum dia um único homem alcançar o mais elevado nível
do amor, neutralizará o ódio de milhões.” (Gandhi)
Esvazio-me de mim...
Carrego comigo essa citação desde um tempo em que sequer
sabia que já citava — não me pergunte a idade.
Ao refletir sobre a aula ministrada, percebo-a como um
processo de (DES)construção de modelos prontos. Nesse movimento, não
esvazio apenas o meu copo, mas a mim mesma. É nesse gesto de abertura que
permito que o novo e o diferente se agreguem àquilo que ainda permanece em
contínuo processo de construção.
Assim, compreendi que a proposta de “esvaziar o copo” não é
simples. Ainda assim, seguimos. Sou corajosa. A proposta de misturar-se para
formar novas conexões e redes, mesmo no espaço offline, com o intuito de
ressignificar conceitos, foi prontamente acolhida.
Iniciar um diálogo mediado pela vivência para,
posteriormente, adentrar a fundamentação teórica e avançar na construção de um
percurso metodológico — agora na condição de aluna — despertou em mim a
curiosidade de conhecer mais profundamente as tecnologias digitais de ensino.
A ideia da (DES)construção de conceitos pode
assustar quando nossa atuação na temática ainda é superficial e quando
conhecemos apenas o cume do iceberg. No entanto, ter acesso ao que está
submerso confere maior solidez para continuar edificando o próprio aprendizado.
O diálogo inicial com o autor Álvaro Vieira Pinto
nos apresenta, desde o princípio, uma dimensão epistemológica da temática, ao
articular aquilo que defendemos teoricamente com aquilo que efetivamente
realizamos na prática. No cenário contemporâneo, a ideologização e a
dissociação entre teoria e prática refletem-se diretamente em nossas ações
pedagógicas — e reconheço que, partindo de minha própria prática, tais marcas
ainda se encontram profundamente enraizadas.
A construção contínua do aprendizado no âmbito da
disciplina certamente contribuirá para a emergência de novos olhares e novas
práticas de ensino, tanto na graduação quanto nas pós-graduações lato sensu
e stricto sensu. Afinal, retirar o indivíduo da zona de conforto pode
ser relativamente fácil; difícil é aprender a conviver com o desconforto.
Sublime, contudo, é transformar o DESCONFORTO em um hábito saudável de
aprendizagem.
Gratidão.
Esta é a palavra que inaugura este relato inicial.
Amanda, seu texto é muito sensível e filosófico, trazendo uma dimensão existencial muito interessante para o início da disciplina. A forma como você relaciona a metáfora do “esvaziar o copo” com um movimento mais profundo de (DES)construção de si mesma revela maturidade reflexiva e disposição para viver o processo formativo de maneira autêntica. Também é muito potente quando você reconhece que acessar “o que está submerso no iceberg” exige enfrentar o desconforto — e que esse desconforto pode se transformar em um motor de aprendizagem. Essa consciência dialoga muito bem com a perspectiva epistemológica trazida por Álvaro Vieira Pinto, especialmente quando você problematiza a distância entre teoria e prática nas ações pedagógicas.
ResponderExcluirAo longo das próximas postagens, pode ser muito rico continuar aprofundando essas reflexões, procurando explicitar como as leituras, as discussões em sala e as atividades propostas estão contribuindo concretamente para sua aprendizagem e para o desenvolvimento da sua pesquisa. Tente registrar quais conceitos provocam deslocamentos no seu pensamento, quais ideias dialogam com sua prática docente e que novas perguntas surgem para sua investigação. Também vale visitar os blogs dos colegas e comentar as reflexões deles, pois esse diálogo pode ampliar ainda mais as conexões teóricas e as perspectivas sobre o tema.
Deixo uma provocação para seguir nesse movimento que você tão bem descreveu: se transformar o desconforto em hábito é parte do processo de aprender, como essa postura pode influenciar não apenas sua formação, mas também a forma como você pretende conduzir suas próprias práticas de ensino e pesquisa?
Olá, Amanda. Estamos sentindo falta de suas postagens no blog. O que aprendeu em nossa última aula? Fez o infográfico solicitado?
ResponderExcluir